Que ‘Vingadores: Guerra Infinita’ é um sucesso disparado, alavancando recordes de bilheteria nos cinema por onde passa, isso todos já sabem. O que nem todos indagam é sobre a fórmula do sucesso da Disney/Marvel e como alcançaram estes resultados favoráveis para empresa e para o público em geral no mundo do entretenimento voltado para os quadrinhos no cinema.

Quais as principais justificativas do sucesso? Será devido ao alinhamento de todos os filmes quanto a um inimigo comum (o próprio Thanos) chegando ao desfecho das Jóias do Infinito? Os fãs dirão que este é o principal elemento. Outros dirão que os filmes de heróis da Marvel tem realmente este alinhamento, porém gostam muito mais do filme devido aos roteiros divertidos, despretensiosos, piadas a todo momento, e com uma comunicação amigável a todo e qualquer público… (um filme feito “para a família”) bem diferente de certos filmes da concorrência com o caráter sombrio e obscuro (até o Deadpool sacaneou isso no seu trailer). E por fim tem aqueles fãs que justificam todo o amor pelos filmes da Marvel por simplesmente serem filmes de heróis e que não ligam para roteiros detalhados ou atém mesmo descaracterização de personagens. “Queremos todos apenas nos divertir, comprar os brinquedos articulados, camisas, bonés, uniformes; ou seja, adquirir todo o material de nossos queridos heróis”.

Estes três argumentos acima são os mais apontados e comentados nas rodinhas dos amigos, nas redes sociais e grupos de Whatsapp e realmente seriam como a tríade do sucesso dos filmes da Disney/Marvel. Entretanto, nem tudo foram as mil maravilhas, alguns filmes não foram tão bem aceitos pelo público (Homem de Ferro 3, Thor e Thor: O Mundo Sombrio, entre outros) e outros se sobressaíram de tal maneira que para alguns é um tabu serem superados (Capitão América: O Soldado Invernal, Pantera Negra). No entanto, ‘Vingadores: Guerra Infinita’ é o filme Marvel que reúne todos os argumentos citados anteriormente e serve como um tutorial ou uma receita pra qualquer empreitada cinematográfica que deseja adaptar uma história em quadrinhos para o cinema.

O primeiro elemento de sucesso é a definição de um vilão bem diferente dos anteriores. O que era o calcanhar de Aquiles da Marvel é definitivamente resolvido. No filme do Pantera Negra já vimos o caminho que a Disney/Marvel estava direcionando: a admiração do publico (ou pelo menos, parte dele) com os ideais do vilão. Thanos é tudo aquilo que os trailers apresentavam: megalomaníaco, poder acima do normal e objetivo bem definido. E este objetivo ao longo do filme atrai o espectador e o torna ansioso pela coleta completa das jóias do infinito. À equipe de Thanos que colabora com sua empreitada não há nenhuma crítica negativa, satisfaz completamente o público. Talvez o único problema tenha sido a falta de uma apresentação dos componentes da Ordem Negra, como seus nomes e funções. Sem dúvida, ‘Vingadores: Guerra Infinita’ é o filme de Thanos.

O segundo elemento do tutorial de como fazer um bom filme de quadrinhos, é a humanização dos personagens: boa dosagem de humor nos momentos certos escolhendo os personagens que serão “a veia cômica”, as parcerias de alguns personagens (como o já conhecido paternalismo entre Peter Parker e Tony Stark), a divisão de atividades a serem desempenhadas por cada personagem (até aqueles personagens que se diziam coadjuvantes tiveram uma participação essencial) e ao invés de mostrar um único grupo de heróis reunidos optou-se pela construção de pequenos grupos de heróis em situações diferentes ao longo do filme tentando resolver problemas que prendiam a atenção do espectador.

Os leitores de HQ’s mais antigos e conservadores devem ter adorado as referências aos cenários, planetas e locais no filme. A Marvel soube incrementar com naturalidade este artifício informando ao público (sobretudo os leigos das histórias em quadrinhos) e situando o conflito até o desfecho final. Este terceiro elemento da receita de sucesso da Marvel é proveniente do terceiro filme de Thor, onde foi bem abordado com uma riqueza de detalhes e onde, sobretudo, faz uma homenagem ao trabalho na Marvel do famoso roteirista e desenhista John Byrne.

E o quarto e último elemento de sucesso dos filmes da Marvel é o mais interessante de entender. ‘Vingadores: Guerra Infinita’ é um filme convidativo e que insere o espectador desde a criança que adora os brinquedos e roupas dos seus heróis favoritos ao adulto já velho (e às vezes ranzinza) que não quer apenas um filme de piadas recorrentes. O filme implementa uma temática séria sobre a existência do ser humano (ou ser vivo) no universo e as conseqüências que ela traz, onde o vilão apresenta uma solução. Esta mensagem consegue ser incorporada e compreendia por todos na sala do cinema de maneira simples e direta. Ao longo do tempo muitos filmes da Marvel foram criticados por serem de teor apenas cômico e divertido para “toda a família”. Após o filme do Pantera Negra percebe-se que a Disney não é apenas o parque de diversão do Mickey, mas que pode ao seu modo apresentar debates e discussões sobre temas que são tabus.

O que podemos esperar dos próximos filmes? Acredito que a Marvel apresentará um desfecho que agradará a todos, sem dúvida, pois a fórmula do sucesso já está pronta. Talvez seja até bem previsível a conclusão de tudo, no entanto, todos os fãs sairão bem satisfeitos. O que ela pode inovar é incrementar esta mesma receita em suas séries, que ainda não emplacaram o mesmo sucesso dos filmes. Fica difícil, não apenas para os filmes de quadrinhos que quiserem concorrer com a Marvel, mas até outros filmes do mesmo mainstream construírem uma cronologia de tanto sucesso com a empresa do Mickey e Cia nos proporcionaram.

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