Há alguns dias o momento mais aguardado do ano para os fãs dos filmes de heróis finalmente chegou: a estreia de ‘Vingadores: Guerra Infinita’, um dos filmes que finalizam a fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel. A não ser que você seja fã da DC e esteja mais afoito por ‘Aquaman’ no fim do ano, o lançamento de Guerra Infinita se tornou a Copa do Mundo dos nerds, tirando suspiros, gritos, ódio e choro por todas as salas de cinema. A reunião de heróis mais aguardada desde o lançamento de ‘Vingadores’ (2012) e ‘Capitão América: Guerra Civil’ (2016) já se torna um épico dos filmes de super-heróis e do cinema por toda sua trama, desenvolvimento, apostas extremamente corajosas do Marvel Studios e um final arrebatador (E QUE FINAL!). Mas não se preocupe! Não haverá spoilers nesse texto para quem ainda não pôde assistir ao filme. Aqui vou tratar de outro assunto: o ‘’Titã louco’’ Thanos.

Em 2012, foi lançado o primeiro filme dos Vingadores, levando os fãs dos heróis à loucura. E qual não foi a surpresa geral quando, na cena pós-crédito do filme, fomos apresentados a Thanos. A partir daí, abriu-se um leque de possibilidades para os novos filmes da Marvel e as tramas que seriam adaptadas. Em seguida, após uma breve aparição em ‘Guardiões da Galáxia’ (2014), o Titã dá as caras em uma cena pós-crédito de ‘Vingadores: A Era de Ultron’ (2015), só que agora vestindo a Manopla do Infinito, sem as jóias, mas trazendo ao público sua intenção de ir atrás dos 6 artefatos.

Já em ‘Vingadores: Guerra Infinita’, desde o lançamento dos seus trailers, vimos que Thanos havia dado início aos seus movimentos para a obtenção das Jóias, mostrando que já havia conseguido duas: a Jóia do Poder e a Jóia do Espaço.

No decorrer do longa, Thanos segue na sua intenção de conseguir as Jóias restantes: Alma, Mente, Realidade e Tempo. Nesse tempo, o titã expões suas intenções, motivos, esperanças e, de maneira fenomenal, se impõe como o melhor vilão do MCU até o momento.

Durante sua jornada para obtenção das jóias, Thanos se mostra não como um antagonista que deseja apenas a plena destruição de todo o Universo para fins próprios e sem base. O Titã Louco, apesar da alcunha, se apresenta tranquilo em sua jornada, sabendo do tamanho de sua força e que não teria problemas em alcançar seus objetivos. Ele se mostra como um ser pensante, até filosófico, refletindo sobre os rumos que os mundos e o Universo tomaram e como poderia mudar aquela situação. Em seus flashbacks, ele revela um certo “lado humano” mesclado à sua maldade. Mas o que é ser bom ou mal? A máxima “os fins justificam os meios’’, geralmente atribuída a Nicolau Maquiavel, é levantada no filme. O bem e o mal podem parecer questões opostas, mas, dependendo da sua observação, podem ser dois lados da mesma moeda: o que é bom para um, pode ser mal para outro. Essa é a questão central do vilão Thanos em Guerra Infinita: para ele e seus seguidores, guerras, genocídios, destruições em massa de planetas são modos “bons” de se acabar com o “mal” que é visto pela lente dos antagonistas da história.

Essa é uma questão já levantada em outros filmes da Marvel, como ‘Pantera Negra’ (2018) com o vilão Killmonger, que almejava a paz e reconhecimento do seu povo através das guerras. Porém, é no filme do povo de Wakanda que esse ponto fica mais concreto e que divide os personagens e o público. Killmonger, durante toda sua vida após as tragédias ocorridas em sua infância, tem o objetivo de tomar o poder de seu país de origem a fim de utilizar sua tecnologia e força para que o povo wakandano seja reconhecido, deixe de se esconder, ser submisso aos outros países e passe a tomar uma posição de liderança. Pode ser que, para uma parcela dos que assistiram ao filme, os meios tomados por ele justificaram os fins que alcançaria, enquanto outros pensam o contrário.

Vamos tomar por exemplo a visão de dois filósofos sobre o que é bem e mal. Para Thomas Hobbes, o que agrada o homem é bom e o que o desagrada é mal. Já para Kant, se o homem pratica o ato com boas intenções, respeitando as leis morais, o ato é bom. Dessa forma, os atos de Thanos seriam muito mais aceitos e legitimados pela visão de Hobbes, afinal, para o titã, tudo o que faz é em prol de um bem maior. E apesar de praticar seus atos com boas intenções, segundo a visão kantiana, ele não estaria fazendo algo bom. Além disso, há um princípio lógico deontológico implícito nas ações do Titã Louco: em suas tomadas de decisões, ele não hesita em deixar no mundo apenas aquilo que será importante para o “bem maior”, segundo sua visão.

Em uma matéria publicada no site Omelete, o dublador de Thanos no longa, Leonardo José, comentou sobre esse ponto: “Thanos é um sujeito que planeja destruir civilizações inteiras para que outras pessoas possam sobreviver em mundos onde a comida já não dá para todos. É uma ideia esquisita, mas ele se considera um benfeitor. O meu trabalho não é julgar o que ele pensa, mas imprimir a verdade dele a partir da voz”.

Apesar de em Guerra Infinita essa ser uma questão que não divide tanto quanto ao seu teor de “justificável”, é inegável que Thanos é um resultado do meio que foi inserido e criado, tomando essa base para a construção do seu mundo ideal e a definição dos seus próprios conceitos de bem ou mal. Sendo assim, tanto o titã quanto Killmonger (talvez o wakandano com um teor mais forte) são um exemplo da máxima de Rousseau: o homem nasce puro e a sociedade o corrompe.

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