O cinema passou por inúmeros momentos, desde o cinema mudo até a explosão dos faroestes, passando pela imensa gama de filmes de ficção científica nos anos 50, aos filmes de terror B nos anos 70 e 80. Não é exagero dizer que os filmes de super-heróis integram um marco como qualquer desses na linha do tempo da sétima arte. Trata-se de um fenômeno que começou no final dos anos 90 (filmes de super-heróis existem desde os anos 70, mas começaram a ser realmente levados a sério pelos estúdios a partir do fim dos anos 90; e acredite, isso faz toda a diferença) e perdura até hoje, com algumas partes de sua fórmula já desgastadas, outras ainda firmes e fortes.

A Marvel Studios demonstra uma capacidade de enfatizar fórmulas com apelo ao público e inovar com relação às fórmulas desgastadas como ninguém; não à toa, seu universo compartilhado de filmes perdura já há quase 10 anos (e Universo Compartilhado foi uma revolução da Marvel Studios na história do cinema).

Quando Homem de Ferro e Hulk estrearam em 2008, a cena pós-créditos do segundo já deixava claro que o estúdio estava abrindo caminho para um Universo Compartilhado. Nos anos seguintes tivemos mais filmes de origem: Capitão América e Thor, com cenas pós-créditos que interligavam os filmes entre si. Eis que surgiu Os Vingadores, um marco histórico não apenas para os filmes de super-heróis (pois pela primeira vez vimos vários super-heróis de grande porte, que tiveram filmes solo, juntos num único filme) mas para toda a história do cinema, pois se tratava de um filme que mostrava o clímax de um universo em que vários filmes compartilhavam.

Não demorou para a Marvel anunciar mais e mais filmes. Tivemos novos filmes do Capitão América, Thor, Homem de Ferro e um segundo filme dos Vingadores que infelizmente ficou muito abaixo do primeiro, mas a Marvel não se deixou abalar pela recepção morna que o filme obteve. Continuou investindo na fórmula de ação e bom humor, apostou alto ao lançar filmes sobre personagens completamente desconhecidos do grande público, como Guardiões da Galáxia, Dr. Estranho e Pantera Negra (este último sendo inclusive um dos maiores sucessos do estúdio), além de Guerra Civil, onde ele colocava os heróis dentro de um conflito interno, algo que o público também não esperava, sem contar um grande acordo com a Sony Pictures para a inclusão do Homem-Aranha no universo.

E, enfim, chegamos à Guerra Infinita. Ao assistir o filme, o que constatamos é que tudo pelo que o MCU passou foi para culminar neste longa; mesmo o primeiro Vingadores tratou-se apenas de uma peça no esquema que levaria a este filme. Durante estes quase 10 anos, a trama e mistério em torno das jóias do infinito foram desenvolvidos à exaustão. Thanos também fora previamente apresentado, e uma vez que os demais personagens também já são bastante conhecidos, Guerra Infinita possui o trabalho unicamente de desenvolver e aprofundar a trama acerca da busca do titã pelas jóias. E Guerra Infinita faz isso magistralmente!

Dado tudo o que já foi construído no MCU, o filme pôde enfim desenvolver e aprofundar o personagem de Thanos, explicitar suas motivações e fazer nos conhecer até mesmo suas dores, alegrias e sofrimentos. Em verdade, Guerra Infinita é um filme sobre Thanos. Ele é o legítimo protagonista deste épico super-heroico.

‘Guerra Infinita’ é na verdade uma adaptação da história ‘Thanos – Em Busca do Poder’, escrita por Jim Starlin e lançada em 1991 como um prólogo da saga Desafio Infinito, onde Thanos saía implacavelmente em busca de cada uma das joias.

O filme tem cenas de ação eletrizantes e empolgantes. A interação entre os personagens é bastante coerente e o que me chamou a atenção foi o fato de existirem dois núcleos que passam o filme inteiro sem nunca se encontrarem, mas ambos enfrentam Thanos e ambos sofrem as consequências dos atos dos Titãs. O filme mantém o humor já tradicional do MCU, porém desta vez bem menos forçado, na medida. O filme também tem um tom sombrio na medida certa, sem parecer forçado também. E podemos dizer que, a julgar pelo final, este é o filme mais ousado da Marvel (embora previsível para quem conhece Thanos pelos quadrinhos), pois, embora nós, que lemos quadrinhos. saibamos que certas coisas podem e irão ser revertidas, para o público de um modo geral este filme com certeza provocará choque e bocas abertas, pois todos os filmes do MCU, num geral, possuem um final que podemos chamar de “feliz”, ou no mínimo “não-trágico”, e Guerra Infinita desafia essa fórmula que o próprio MCU construiu.

O filme possui suas falhas, como por exemplo a pífia exploração da Ordem Negra e mau uso de poderes e habilidades pelos personagens, mas isso não ofusca o brilho desse filme que, para o bem ou para o mal, entregou o que prometeu e para alguns até mesmo superou expectativas. Os irmãos Russo estão de parabéns.

NOTA: 9.0

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