“Astro dos anos 80 busca retorno triunfal ao estrelato, após anos no esquecimento”. Soa atual pra vocês?

Criada por Raphael Bob-Waksberg (Save Me) e lançada em 2014 pela Netflix, BoJack Horseman retrata a vida do ex-astro da série Horsin’ Around e a sua incessante busca por um retorno ao estrelato. A vida de BoJack lembra a de muitos artistas que, após um período de bastante sucesso, perdem sua relevância e empatia, ganhando espaço ocasionalmente na mídia apenas com participações em programas de fofocas ou em reality shows, normalmente em situações degradantes. No caso de BoJack, a maneira que ele encontra para voltar aos holofotes é publicando sua biografia e para isso ele conta com a ajuda de uma ghostwriter .

Quando comecei a assistir a série eu estava sem nenhuma expectativa e talvez por isso eu tenha gostado da primeira temporada, ainda que não seja algo ótimo (bem longe disso). A crítica ao mundo do entretenimento está presente a todo momento e esse é o grande mérito do show: tirar o glamour do showbiz. Pensei em três ou quatro personalidades que se encaixariam perfeitamente no lugar do BoJack e que talvez até recorressem a uma biografia para voltar aos holofotes. BoJack (Will Arnett) é um cara milionário porém infeliz e decadente profissionalmente, mas ao invés de buscar uma mudança de comportamento para encontrar novas oportunidades para um recomeço, ele prefere manter-se como um babaca a maior parte do tempo sem se preocupar se suas atitudes machucam aqueles à sua volta. Seus colegas de cena em Horsin’ Around não guardam boas lembranças da convivência com ele e isso fica claro durante o episódio em que o elenco se reúne para um funeral. Um desses integrantes, Sarah Lynn, é mais um exemplo de como o mundo da fama pode ser destrutivo; a atriz mirim da série tornou-se uma viciada e constantemente envolvida em escândalos. Lembraram de alguém?

O restante do elenco também tem sua importância, não são apenas alegorias em volta do protagonista. Princesa Caroline (Amy Sedaris) é a agente e ex-namorada, uma das únicas pessoas que ainda enxergam algum tipo de potencial em BoJack, mas que tem muitas dificuldades para convencê-lo a aceitar alguns trabalhos, visto que o ego dele vive nas alturas, inexplicavelmente. Em meio a essa situação, ela ainda tem de lidar com os desafios da carreira de agente, onde as puxadas de tapete podem ocorrer a qualquer instante. Todd Chavez (Aaron Paul), figura hilária que chegou na casa de BoJack para uma festa e nunca mais foi embora, é o mais próximo de um amigo para o atormentado cavalo, ainda que este o trate com desprezo em algumas situações, inclusive o prejudicando em uma oportunidade profissional por pura inveja. Temos também o Sr.Peanutbutter (Paul F. Tompkins), um cão astro de uma sitcom dos anos 90 que é praticamente uma cópia de Horsin’ Around e namorado de Diane (Alison Brie), por quem BoJack tem um interesse que vai além do profissional. Diane é a ghostwriter responsável por colocar as memórias de BoJack em ordem para a biografia e a única que consegue, ainda que por um breve período, ver o lado bom do ator. Alguns dos melhores momentos da primeira temporada da série envolvem os dois, normalmente uma conversa seguida de algum discurso de Diane para tirar BoJack da lama onde está atolado. Graças a ela, BoJack consegue o que tanto queria, mas será que ele está preparado para o que está por vir?

A primeira temporada cumpre seu objetivo de mostrar como o mundo da fama pode ser perigoso para quem não está preparado mentalmente e as consequências disso para as pessoas próximas. Na segunda parte do nosso especial ‘Conhecendo BoJack’, falaremos um pouco sobre a segunda temporada e como BoJack lida com a sua “volta ao jogo”. Até mais!

 

 

 

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