No dia 15 de fevereiro tivemos a estreia de um dos filmes mais aguardados do ano: ‘Pantera Negra’. O longa, dirigido por Ryan Coogler, traz um dos maiores ícones de resistência e representatividade do Universo Marvel, T’Challa (Chadwick Boseman), príncipe de Wakanda que assume o papel do defensor de seu país e que já havia sido apresentado ao público em ‘Capitão América: Guerra Civil’ (2016). Desde a sua estreia nos quadrinhos, em 1966, o Pantera Negra e o povo de Wakanda retratavam as questões sociais da vida real, principalmente com a questão racial, tornando-se um dos marcos da representatividade na Marvel.

Tempos antes da sua estreia, quando começaram a sair os primeiros teasers e trailers, o público já começava a apresentar suas primeiras reações positivas à obra. Os cenários e personagens apresentados nos mostravam que o filme tinha o potencial para ser um dos melhores do MCU. Então, logo depois da estreia, foi confirmado o que já era previsto: sim, ‘Pantera Negra’ é um dos (o melhor, para alguns) filmes do Universo Cinematográfico Marvel. Seu mérito não é resultado apenas do lado técnico do longa, com seus incríveis cenários, seu ótimo roteiro, personagens bem construídos, cativantes e complexos; ‘Pantera Negra’ ultrapassa as fronteiras do cinema para entrar no meio social e, de certa forma, mudá-lo. Isso não havia acontecido com nenhum outro filme da Marvel e acaba se tornando algo de extrema importância e relevância, pois conseguiu traduzir aquilo que se propôs de início: não apenas o mero entretenimento, mas a reflexão. O filme começa a agir não como mais uma história para o desencadeamento dos fatos que ocorrerão em ‘Vingadores: Guerra Infinita’, mas um instrumento de mudança social.

A questão da representatividade é o principal legado do filme. Durante seus 135 minutos de duração, as figuras negras e femininas são os pontos principais da trama. É através delas que se dá todo o desenrolar da história. Wakanda é uma nação africana que, apesar da sua herança tecnológica e evolução através dessa tecnologia, preserva seus costumes, mostrando ao público uma parte da cultura africana por meio das suas vestimentas, ritos, falas, etc. A figura feminina negra é apresentada de uma forma incrível, com personagens fortes e marcantes, sendo parte crucial da trama. Okoye (Danai Gurira) é a general do exército wakandiano, comandando a imponente guarda da realeza, as Dora Milaje. Ela é uma mulher forte, imponente e que demonstra, em meios às reviravoltas, sua lealdade ao seu reino. Outra personagem de grande destaque e que, com certeza, uma das que mais cativou o público, é Shuri (Letitia Wright), irmã de T’Challa, garota extremamente inteligente, que é responsável pela manutenção da tecnologia do reino e a wakandiana que possui o maior conhecimento dos recursos do seu país e como utilizá-lo em favor do povo, utilizando seus aparatos tecnológicos até para curar ferimentos críticos (Isso é tão Black Mirror! – Pegue a referência.) Além dela, há uma variedade enorme de mulheres negras que representam papéis importantes na trama, como Nakia (Lupita Nyong’o) e Ramonda (Angela Basset). Essas personagens exaltam a força feminina e, principalmente, a visibilidade da mulher negra no cinema. Já os personagens masculinos demonstram a perseverança e preocupação com seu povo, como T’Challa e Erik Killmonger (Michael B. Jordan). Apesar de ser o vilão da trama, Killmonger apresenta uma ideologia que difere dos frequentes personagens, tendo como objetivo a visibilidade do seu povo e o fim da opressão vivida por ele.

Passando para o âmbito social, é perceptível o que a estreia de ‘Pantera Negra’ causou. Nas redes sociais, a todo momento estamos nos deparando com postagens sobre o filme, criticas, memes, opiniões, textos etc. E o principal: todas essa constatações e debates que estão sendo feitos, não são apenas pelas pessoas que acompanham os filmes da Marvel ou os quadrinhos, mas pelo público em geral. É impressionante também que até aqueles que nunca viram um filme da Marvel, ou até o próprio Pantera Negra, estão comentando. Essa é a questão mais importante: falar sobre. A proporção de debates que o filme gerou se dá justamente pelo que ele passa: uma realidade que é vivida na vida real, onde as pessoas se sentem incluídas, tomam para si as discussões e querem compartilhá-las com o mundo. Nos outros filmes, apesar do enorme sucesso, não há um apelo para o pessoal. Você não se sente parte de um mundo com invasões alienígenas onde os heróis estão lá para salvar o dia, certo?

A comoção e relevância de ‘Pantera Negra’ é tanta que, ao redor do mundo, aconteceram muitos movimentos e ações realizadas para levar crianças negras às salas de cinema para assistirem ao filme e observarem um herói em quem pudessem se espelhar e sentir dentro de si que podem ser capazes de qualquer coisa. Também há as sessões lotadas de pessoas negras que, por conta do filme, esbanjam o orgulho de sua raça.

Portanto, todas essas questões devem ser tratadas sempre e por todos, mesmo por aqueles que não pertencem ao grupo explorado na trama. O longa é importante para os grupos abordados por conta da questão da representatividade, de se sentir representado na grande mídia que é o cinema, de se ver em uma posição de igualdade; e é igualmente importante para quem não se encontra nesse grupo, pois serve como uma forma de conhecer e quebrar preconceitos. Por isso, se você é branco, amarelo, pardo, Na’Vi, namekuseijin, tritão, wookie ou inumano, assista! Esse filme também é para você. No momento em que assuntos como a questão racial, preconceitos e representação feminina são abordados e dão margem para debates por meio de grandes mídias de massa, como o cinema, principalmente através de uma gigante franquia como os filmes Marvel, estamos um passo à frente na luta pelo fim do preconceito.

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