Quando o live-action de ‘Fullmetal Alchemist’ foi anunciado, muitos fãs do mangá/anime ficaram apreensivos a respeito. Será que vai dar certo? Corremos o risco de ver mais uma adaptação ruim de uma obra consagrada?

‘Fullmetal Alchemist: Brotherhood’ é um dos meus animes favoritos, figurando facilmente no meu top 5. Lembro de ver trechos esporádicos da primeira versão sendo exibidos no extinto canal Animax (bons tempos) mas nunca cheguei a vê-la na íntegra, pois fui aconselhado por alguns colegas a assistir a versão mais recente da adaptação do mangá de Hiromu Arakawa. Creio que essa tenha sido a melhor escolha, pois é uma obra magnífica tanto em sua história quanto no seu visual, que é belíssimo, cortesia do estúdio Bones. Mas vamos ao assunto do momento: a adaptação em live-action de ‘Fullmetal Alchemist’, parceria da Warner Bros Japan com a Square Enix.

O longa foi lançado no Japão em dezembro de 2017 e disponibilizado no catálogo da Netflix no dia 19 de fevereiro. Como não poderia deixar de ser, as opiniões começaram a surgir por todos os lados, uma enxurrada de “vereditos” a respeito da obra. Muitos gostaram, outros acharam bem mais ou menos e outra boa parte do público não gostou. Sem novidades no front.

Eu gostei. Não é espetacular (longe disso) mas prendeu minha atenção e encontrei coisas legais ali: a história simples (deixaram de fora algumas coisas), as paisagens muito bonitas, a fotografia em algumas cenas (principalmente no início) e o CGI utilizado ficou aceitável. A forma como o Al (Alphonse Elric) foi apresentado estava boa, talvez o ponto de maior destaque em se tratando de computação gráfica durante todo filme. Achei o Edward Elric (Ryosuke Yamada) um pouco desajeitado em algumas cenas e isso me incomodou um pouco, mas não ao ponto de detestar, pois os traços essenciais de sua personalidade são vistos com facilidade. Sobre os demais personagens, gostei da forma como o Roy Mustang (Dean Fujioka) e o Maes Hughes (Ryuta Sato) foram retratados, principalmente o segundo; já imaginávamos a sua limitada participação mas foi o suficiente para relembrar com fidelidade o divertido personagem que vimos no anime. Riza Hawkeye (Misako Renbutsu) também está presente, ainda que bastante discreta, até mais do que no anime. Pelo lado dos antagonistas eu destaco Lust (Yasuko Matsuyuki) e Gluttony (Shinji Uchiyama), ficaram muito bons e sobre o Envy (Kanata Hongō) era o mais fácil de ser feito, então não tinha como errar (ok, ficou mais tosco um pouquinho). Claro, não podemos esquecer da Winry (Tsubasa Honda) né? Parecia que estava recordando alguns episódios do anime com sua presença, em especial aqueles onde o Ed dá o maior trabalho a ela na manutenção dos seus automail.

A história do filme corresponde ao primeiro arco da trama, marcada por acontecimentos impactantes (alguns tristes) e à medida que vamos assistindo fica mais claro que algumas pontas soltas foram deixadas, possivelmente como um gancho para uma continuação (que deve acontecer mesmo) em um futuro próximo. Muitos fãs protestaram pela ausência do carismático Alex Louis Armstrong e do Scar mas é bem provável que os dois personagens sejam aproveitados em uma sequência, duvido muito que os deixarão de fora dado o sucesso que fizeram entre os fãs. A relação entre Edward e Alphonse não difere em nada daquela vista no anime e em tempos onde existem tantas rixas familiares por aí, é bom acompanhar mais uma vez as aventuras dos dois irmãos em busca do seu objetivo principal: Edward quer recuperar o corpo do irmão e também seus membros perdidos (braço e perna). Logo nos primeiros minutos do filme cresce a expectativa para rever momentos importantes, independente do resultado ser o que esperávamos ou não. A busca pela Pedra Filosofal, o dramático arco com o Dr. Tucker e o confronto contra os homúnculos. Aquele “clima” entre Edward e Winry também é perceptível, ainda que não seja na mesma intensidade do que vimos no anime.

O que esperar das prováveis sequências? Bem, não temos datas oficialmente confirmadas mas o que se espera são melhorias em alguns pontos que deixaram a desejar nesse primeiro filme, como o CGI e o roteiro suprimido. É possível? Sem dúvida, mas vamos ficar com os pés no chão e evitar expectativas exageradas. Quem sabe com o hype mais baixo as coisas não fluem melhor?

Fullmetal Alchemist tem seus problemas, mas está longe de ser a bomba que alguns sugerem. Sabemos que é muito material pra adaptar em pouco tempo de filme mas ainda assim acho que fizeram algo digno para os fãs (talvez não para os fanáticos). Se você é marinheiro de primeira viagem e conheceu FMA através do filme, aproveite a oportunidade de assistir os animes e conheça mais sobre esse universo tão rico que agora ganhou novos ares.

 

 

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