Recentemente o público presenciou o nascimento de uma nova editora no mercado de quadrinhos, a Editora Pipoca & Nanquim. Criada pelos três integrantes do canal Pipoca & Nanquim (Alexandre Callari, Bruno Zago e Daniel Lopes), a editora já entregou ao público grandes materiais como ‘Espadas & Bruxas’, ‘Moby Dick’ e ‘Beasts of Burden’, todos com um acabamento impecável e deixando os leitores na expectativa pelos lançamentos futuros. Tivemos a oportunidade de trocar uma ideia com o pessoal e conhecer um pouco mais do trabalho deles nesse novo momento profissional.

*Por André Nascimento, Alan Silva e Arlan Carvalho

 

O público que os acompanha através do canal do PN no YouTube conheceu a rotina de trabalho de vocês na Panini e Mythos. Nessa nova jornada, como vem sendo organizada a rotina da Editora Pipoca e Nanquim? Como são divididas as funções?

É tudo muito novo para nós, de modo que a rotina ainda está se assentando (nem sequer temos um escritório alugado ainda). As tarefas são divididas de acordo com as potencialidades e competências de cada um; por exemplo, é natural que o Bruno gerencie o canal e a parte de edição de vídeos, mesmo não sendo mais responsável por todas as edições. O Daniel tem cuidado de negociações com as gráficas, pedido de ISBN e ficha catalográfica. Ele também cuidou do projeto gráfico da maior parte dos lançamentos, junto com o Bruno. O Alexandre negocia com os autores/editoras, revisa contratos, gerencia pagamentos, entre outras coisas. Todos continuam atuando como editores do material, alternando a ênfase no envolvimento com o material. Todos leem, todos opinam e aprovam juntos. É tudo muito democrático.

Qual a previsão de lançamentos até o final do ano? Há alguma possibilidade de lançar trabalhos de artistas nacionais esse ano?

A previsão é para doze lançamentos este ano. Pode ser que não se concretize, mas dez são certos. Quase fechamos com um artista nacional, mas não conseguimos entrar em acordo com a agente literária dele. Estamos em conversa com outros, mas como é um material que nascerá do zero, é improvável que saia este ano.

Pra vocês, qual o maior petardo lançado pela editora até o momento e por quê?

Provavelmente é Moby Dick, devido ao peso da obra, mas Beasts of Burden também mora no coração dos três.

A editora pretende seguir nessa linha de publicar quadrinhos que não são tão mainstream, mas que possuem uma qualidade enorme e que mereçam ser levadas ao público brasileiro que não as conheciam, ou futuramente pode ser que surjam títulos dos grandes nomes, como Marvel e DC?

Hoje a Panini faz um ótimo trabalho lançando super-heróis. Não há por que tentar entrar nesse meandro, quando o mundo dos quadrinhos é tão amplo. Dito isso, caso exista a chance de lançar algo realmente bacana dentro desse meandro, por que não? Somos abertos a tudo.

Como vocês veem a editora Pipoca e Nanquim daqui a alguns anos no mercado editorial de livros e quadrinhos no Brasil?

A gente espera estar escrevendo um capítulo positivo na história da publicação de quadrinhos no Brasil. Abrimos um canal de comunicação com o público, revelando etapas que eram, até então, secretivas (por qualquer motivo que fosse). O canal nos coloca numa posição única em relação às outras editoras e, cada vez mais, pretendemos aproveitar essa vantagem, sempre mantendo nosso respeito e compromisso com os fãs. Jamais lançaremos algo apenas por lançar; cada projeto será pensado com carinho e terá sua própria justificativa para ocupar um lugar na prateleira do leitor.

Como empreendedores, qual conselho vocês dariam para aqueles que desejam realizar seus sonhos mas ainda não tem ideia de como buscar a realização do mesmo?

Algo que consideramos importante é tentar não ser “aventureiro” quando optar por um empreendimento. Decisões precisam ser informadas e conscientes, é preciso de muito estudo e conhecimento de causa, não só do produto em questão, como também do mercado, do público, etc. Quanto mais informações você tiver, menores são as chances de quebrar a cara.

O intuito do Pipoca e Nanquim é apenas falar sobre quadrinhos para o público que consome esse material ou para o público em geral? E como alcançar esse público que não conhece?

Desde o início nossa intenção sempre foi levar os quadrinhos para um público maior, apresentando a mídia a quem não conhece. Essa é a função dos nossos vídeos e a missão maior do canal. Hoje, temos confiança que mais gente lê HQs do que há dois ou três anos, e sabemos que, em parte, somos responsáveis por isso, ao lado de outros canais competentes do Youtube. Isso nos enche de orgulho, pois sabemos que estamos deixando um legado, que estamos ajudando de alguma forma.

Como falar sobre quadrinhos para uma geração de natureza imediatista, onde tudo o que é consumido agora, amanhã será descartado?

Educando. Levando à compreensão. Mostrando a verdadeira natureza do descartável. Como temos registrado, há muita gente disposta a escutar.

Como concorrer dentro do YouTube com outros conteúdos genéricos e que fazem sucesso?

O que buscamos fazer no Youtube é oferecer um conteúdo que mais ninguém oferece. Pegar carona no hype é importante, pois ajuda o canal a crescer, contudo, quando promovemos quadros como “Papel Jornal”, sabemos que esse é um conteúdo único. No final das contas, o resto acaba sendo efêmero, mas é por conta desse tipo de vídeo que o inscrito passou a confiar no nosso trabalho. Além disso, há o apoio que damos ao quadrinho independente, nosso desejo de fortalecer a cena como um todo, a maneira como tratamos sem distinção todas as editoras, enfim, buscamos consistência no trabalho realizado.

Como vocês lidam com essa atual polarização dos quadrinhos dentro do cinema ? ( Marvel vs DC )

Por enquanto, tem sido algo positivo. Mas em algum momento, haverá um desgaste. Já há sinais disso, mas é algo para daqui a alguns anos.

Como vocês vêem esse momento dos quadrinhos, onde há mais espaço para as minorias e uma maior representatividade?

Nada mais justo. Haverá um dia em que não existirão mais minorias e que todos serão iguais. É possível que nós não estejamos mais vivos para ver isso, mas temos confiança de que, um dia, será assim. Nada de minorias, quer estejamos falando de público, de criadores ou do conteúdo em si; contudo, enquanto esse dia não chega, o espaço tem que ser progressivamente aberto, sem que haja distinção.

Em contrapartida, os quadrinhos dessa nova leva foram cancelados. Do ponto de vista de vocês, o público prefere os padrões clássicos ou as histórias são simplesmente ruins?

É um processo em andamento. Não se condena toda uma iniciativa por conta de um ou dois fracassos. É preciso ser diligente e seguir em frente, cientes de que é o certo.

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