Hype é o exagero de algo; no marketing é uma estratégia para enfatizar alguma coisa, idéia ou um produto. É um assunto que está dando o que falar, é algo que está na moda e que é comentado por todo mundo.

Existem vários significados para hype espalhados pela internet, mas acredito que o citado no texto se encaixa bem na proposta. Sempre que algo é divulgado no ramo do entretenimento (leia-se cinema, tv ou streaming) começam a surgir opiniões em toda parte do mundo, algo bastante natural se levarmos em conta que o acesso a fotos promocionais, notícias e trailers é praticamente instantâneo. Obviamente, nem tudo é unanimidade nessa vida, muito menos opinião. A “aura divina” dada por fãs a algumas produções os levam a um extremismo desnecessário, promovendo verdadeiras “guerras virtuais”, onde cada um quer defender o seu lado. Muito disso é fruto da quantidade enorme de divulgação feita meses (ou anos) antes do lançamento oficial do produto. A quantidade absurda de teasers e trailers lançados hoje é algo surreal e isso pode aumentar ou diminuir o interesse do público, além de alimentar a briguinha de meia dúzia de desocupados em busca de notoriedade e de uns likes.

O divertimento saudável deu lugar a uma comoção idiota? Haverá um dia onde pessoas com opiniões divergentes conseguirão debater numa boa sem apelar pra baixaria? São questionamentos que me faço vez ou outra e que inclusive já me levaram a tomar a decisão de deixar alguns grupos, onde ser educado e ir contra a euforia em relação a determinado filme ou série é considerado uma heresia.

Lembro de quando os trailers tinham um caráter mais informativo, onde se limitavam apenas a apresentar personagens e os cenários onde o filme era ambientado. Isso criava uma expectativa legal e tornava a experiência de ir ao cinema muito mais interessante e prazerosa. Hoje, um filme chega a ter de três a quatro trailers (fora os teasers), muitas vezes entregando a trama por completo e deixando apenas alguns detalhes importantes (ou não) para o cinema. Se montarmos os trailers de alguns filmes ou séries em ordem de lançamento, temos um curta com início, meio e fim, onde você consegue entender tudo sem a necessidade de passar duas horas dentro de uma sala de cinema ou maratonando uma série. Triste, porém tornou-se um mal necessário para a indústria, pois o seu produto tem de ser vendido das mais diversas formas possíveis e ajudar na geração de receitas além da bilheteria. A conta tem que ser paga custe o que custar e os trailers são uma ótima ferramenta para divulgar patrocinadores, que vão de grifes de roupas até montadoras de automóveis.

Já vi pessoas se decepcionarem com muitos filmes após criarem expectativas gigantescas a respeito deles. Imagine: você passa um ano (às vezes mais) postando inúmeras fotos, comentários, textões, memes ofensivos e gifs onde exalta determinado filme em detrimento de outro e quando ele finalmente é lançado, a decepção é total. De repente, o extremista guarda sua principal arma (o smartphone) e se recolhe, dando adeus por algum tempo à sua militância. Valeu a pena agir feito um desesperado para defender um filme? Valeu a pena ofender pessoas por causa de um ator, atriz ou diretor que não conhece você? Conseguiu os likes que necessitava?

Já no ínicio do ano o cinema nos dá exemplos distintos sobre hype. Temos exemplos bons e ruins para abordar. Eu escolhi três filmes como referência, vamos ao primeiro?

‘A Forma da Água’, do diretor Guillermo del Toro, provavelmente é um dos filmes mais comentados do ano até então e com chances de ser o grande vencedor na premiação do Oscar, em março. Quem se lembra da campanha de marketing do filme? Bem, houveram imagens promocionais, trailers e notícias pontuais sobre a produção mas nada exagerado ou forçado, que deixasse as pessoas num estado de euforia e praticamente vivessem por aquele filme. A promoção alcançou seu objetivo: despertar de maneira sutil a curiosidade do público para conhecer a história de Elisa e da criatura anfíbia pela qual se apaixona, mas para conhecer o desenrolar da trama é preciso assistir o filme, onde certamente algumas surpresas estão reservadas. Talvez aqueles que sejam fãs do trabalho do diretor não vejam nada de tão extraordinário, mas o grande público com certeza sim. Eu diria que ‘A Forma da Água’ gerou um hype “do bem”.

O segundo filme é ‘Pantera Negra’, do diretor Ryan Coogler. Após uma boa estreia em ‘Capitão América: Guerra Civil’ (2016), o personagem chega com seu filme solo aos cinemas no dia 15 de fevereiro mas a expectativa em torno dessa produção já era enorme desde a sua confirmação pela Marvel Studios, crescendo ainda mais com a proximidade do seu lançamento. Há razão para comoção? Sem dúvida, mas não pelos motivos exagerados das demais produções da Marvel. ‘Pantera Negra’ vem para mudar o cenário atual dos filmes baseados em heróis dos quadrinhos e isso está relacionado ao fato do Pantera ser o primeiro herói negro da Casa das Ideias a ganhar um filme solo (Blade é um anti-herói) e ter um elenco talentosíssimo majoritariamente negro, algo espetacular em vários níveis. Enquanto a maioria esmagadora do público aguarda ansiosamente pela chegada do herói e a estreia de Wakanda no UCM (Universo Cinematográfico Marvel), existem aqueles idiotas querendo pegar carona no hype do filme pra conseguir uns míseros acessos, tecendo comentários racistas e criando campanhas imbecis para baixar a nota do filme no Rotten Tomatoes (não que eu considere o RT importante). Seja você negro, branco, amarelo, roxo, cinza ou azul, você irá entender o significado de ‘Pantera Negra’ para o mundo e para a indústria do entretenimento. Quem não se emocionou com as mobilizações mundo afora para levar crianças ao cinema e ver um herói que as representa protagonizando um filme? Particularmente, meu hype para ‘Pantera Negra’ está nas alturas, não apenas por achar que será um filme espetacular, mas pelos outros motivos citados. Um hype necessário.

Pra finalizar, vamos falar sobre ‘Vingadores: Guerra Infinita’. O filme promete ser grandioso e sem dúvida alguma um fênomeno de bilheteria, mas infelizmente possui uma base de fãs que não aceita opiniões divergentes. Faça ressalvas sobre esse filme e tente ficar por mais de dez segundos sem receber uma ofensa. Caso consiga, você já pode ser considerado um mutante, metahumano ou coisa do tipo.

Com estreia marcada para 26 de abril, o longa dirigido pelos irmãos Russo é tratado de forma divina pelos fãs da Marvel. De fato, o filme será grandioso e merece sim ser taxado de ápice do UCM, mas acredito que há um exagero absurdo por parte de alguns fãs, pois a divulgação de um trailer já foi suficiente para glorificar como “o melhor filme de todos os tempos” ou fazer comentários do tipo “Deus Kevin Feige”, “longa vida aos Russo” e outras coisas mais. Recordando o comentário de um amigo: “esse filme tem obrigação de ser bom”. Não adianta uma campanha pesada de marketing, excessos de trailers ou ter 60,70 ou 80 personagens e entregar um filme que decepcione ao público e satisfaça apenas aqueles fãs “massavéio” que gostam somente de ver tiro, porrada, bombas e raios pra todos os lados. E isso é o que não falta por aí, infelizmente. Eu, como um apaixonado de longa data pela Marvel, espero muito que ‘Vingadores: Guerra Infinita’ seja fantástico e respeite a essência da saga criada nos quadrinhos pela lenda Jim Starlin, mas não vou entrar na onda dos fanáticos e me deixar levar por causa de trailers ou de um uniforme bonitinho que deram pro Aranha. Eu prefiro não criar expecativas.

Bem, no fim das contas o que vale mesmo é apreciar essas obras e não se deixar levar pela comoção das pessoas mundo afora. Lembre-se que a sua opinião é a mais importante e caso você se deixe levar pelas palavras de terceiros, alguma coisa está errada. Ninguém usava o termo hype até um tempo atrás então não se preocupe, a moda vai passar mais cedo do que se imagina.

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