“Não podemos salvar o mundo sozinhos”.

Quem dera fosse apenas o mundo, Bruce, quem dera…

Esse foi o bordão utilizado para a divulgação equivocada de ‘Liga da Justiça’ (2017). Não que a frase seja ruim, aliás, é até emblemática. O problema não é a frase, mas sim todo o conceito de marketing utilizado, ou alguém aqui acha que esconder o Superman durante toda a divulgação do filme foi uma boa ideia?

De qualquer forma, esse é o menor dos problemas da Warner/DC. Liga da Justiça, embora seja um bom filme e faça o mais antigo fã voltar a ser criança, “fracassou” nas bilheterias e aparentemente afundou todas as pretensões de um universo compartilhado. Com os seus quase 700 milhões, o filme rendeu menos até do que o filme do Will Smith, onde nosso carismático Will (eu sei que você entendeu. Há!) interpreta um anti-herói chamado Hancock (tipo DICK Grayson).

Liga da Justiça e todo o seu panteão formado pelos maiores heróis do mundo tinha a obrigação de consertar todos os erros cometidos na apressada construção do universo DC nos cinemas e alçar voo. Mas era uma missão infeliz e grande demais para um pequeno filme em meio a decisões de executivos, cortes, regravações, mudança de diretores e todo o caos que Hollywood pode nos proporcionar.

A criação de um universo compartilhado é até antiga, filmes da Pixar já faziam isso, mesmo que de forma extremamente discreta, mas foi com a Marvel Studios que o negócio pegou gás e incendiou tudo. E olhando em retrospecto, percebemos que toda a construção desse projeto fora gradativa, planejada, bem pensada e entregue nas mãos da pessoa certa, Kevin Feige. Começou com o filme de um herói B (sim, Homem de Ferro era desconhecido, jovens) e depois foi tomando forma até chegar a seu ápice com os filmes dos Vingadores. Embora, o que temos hoje sejam apenas filmes esquecíveis que faturam bilhões. E tudo bem com isso, ou não…

A DC de certa forma não precisava apresentar os seus personagens, pois todos são conhecidos da grande maioria e isso faz a diferença entre o grande público, mas precisava sim trazê-los para este novo momento, pois enquanto temos grandes ícones da cultura pop estagnados de um lado, do outro temos novos ícones surgindo graças ao estrondoso sucesso cinematográfico da concorrência. Difícil concorrer, mas não impossível.

O grande erro da Warner/DC foi justamente escolher a visão errada para trazer esses personagens para a competição. A escolha do diretor lá em O Homem de Aço (2013) pode ser encarada como um erro também, mas devemos reconhecer que Zack Snyder teve coragem de impor a sua visão e arriscar, mesmo o momento sendo errado. Oras, já que o objetivo era começar um universo compartilhado, o correto não seria seguir o caminho mais seguro? E qual seria esse caminho seguro? Simples: HQs! Mas as HQs que retratam quem o personagem é de fato e não uma graphic novel que desconstrói tudo aquilo que conhecemos (estou olhando para você Cavaleiro das Trevas). Obviamente, é notório que a linguagem dos cinemas é completamente diferente dos quadrinhos, o seu poder de alcance é enorme e um filme precisa alcançar a maior quantidade de pessoas possível. Logo, adaptações precisam ser feitas e não é permitido seguir à risca a premissa das HQs. Porém, você precisa manter a essência do personagem e foi justamente isso que a Warner/DC não entendeu e não fez.

Tivemos um Superman que demorou dois filmes para se tornar quem ele deveria ser desde o princípio, além de precisar morrer para chegar a esse ponto. Logo após tivemos um Batman desgastado, implacável e VELHO! Se o intuito era criar uma nova franquia, o correto não seria retratar um Batman mais jovem para que inúmeros pudessem ser feitos? Alguns podem dizer que a visão do Superman escoteiro não funciona nos dias de hoje, bem… O Superman que apareceu nos minutos finais de Liga da Justiça foi o que mais agradou a todos.

Além da visão “errada”, os filmes da DC se tornaram inchados, megalomaníacos e repletos de referências obscuras, que somente o fã mais dedicado reconheceria. Decisões de roteiro equivocadas e inexplicáveis (Superman assassino e Batman usando armas) desenvolvimento de personagens inexistente, onde todos tinham praticamente a mesma persona, cheios de amargura e um pessimismo de dar enxaqueca. Uma salada mista azeda de informações que era demais para qualquer público. Mas tudo isso mudou com a chegada da Liga da Justiça e toda a sua bagagem sobrecarregada de más decisões.

Personagens se tornaram mais leves e engraçados, o roteiro era mais objetivo, sem pretensão de grandeza, tudo em prol da bilheteria. Isso é errado? Não! Mas poderia e deveria ter sido feito de forma diferente, gradativa e que não ofendesse a inteligência do público. Como se jogasse no lixo tudo o que havia sido apresentado anteriormente.

Filmes de super-heróis não precisam ser iguais, é primordial que sejam diferentes entre si, fornecendo uma respiração entre o gênero e evitando o seu desgaste. A Marvel abrange o lado infantil e de fácil assimilação, a Fox investe em vários subgêneros e a DC poderia muito bem seguir o caminho de sua proposta inicial: algo mais sério e fincado na realidade, mas sem tantas firulas e sem o espírito explosivo do Michael Bay (BOOOOMMMM!) como Zack Snyder pretendia. O grande exemplo de como a DC pode seguir um caminho promissor e mais simples é Mulher Maravilha (2017). Um filme bem amarrado, com doses certas de humor, seriedade e que tem começo, meio e fim. Tudo muito bem bonitinho, ou quase tudo, pois o terceiro ato desanda legal. Mesmo assim, eficiente e fez um grande sucesso entre o público.

O caminho certo a ser seguido neste momento é: parar, sentar, mudar o que tiver que ser mudado e seguir em frente, aproveitar o que deu certo e investir nisso. A DC pode acertar em cheio com Aquaman (2018), de James Wan, ótimo diretor que sabe utilizar bem a ação, terror e aventura. Este filme pode ser o recomeçar da DC nos cinemas, uma nova oportunidade de fazer as coisas acontecerem no seu tempo certo. É hora de esquecer ideias de filmes medíocres: Jovem Coringa, Coringa e Arlequina, Asa Noturna, Esquadrão Suícida 2 e por aí vai! Esquecer tudo isso e investir nos heróis principais: Batman, Superman, Mulher Maravilha, Shazam e Lanterna Verde. Façam bons filmes desses personagens, façam com que o público se importe com eles, compre a ideia do filme. Faça tudo isso e o sucesso chegará lindamente.

Espero que 2018 traga para a Warner/DC tudo aquilo que recebemos naquelas insuportáveis correntes de grupos do Whatsapp: um ano de reflexão, novos hábitos e recomeços. E só quem ganha com isso é o público.

“Não podemos salvar o mundo sozinhos.”

Conte concosco, Batman, estamos aqui…

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