Quando eu era apenas um garoto, nos anos 1990, fiquei fascinado por um desenho animado meio obscuro que poucos dos meus amigos do colégio se interessavam: The Tick. Muitas vezes, nos últimos anos, eu o citei como um dos meus preferidos e todo mundo ficava com cara de “quê?”, nunca ouvi falar (mais ou menos como o povo cita os desenhos da Record).

Foram poucos episódios e que não marcaram uma época (ou várias) como He-Man, Thundercats ou o clássico Caverna do Dragão, mas foram o bastante para ficarem gravados na minha mente de pré-adolescente até os trinta e poucos anos.

A Amazon decidiu este ano reviver as aventuras do grande carrapato. Um super-herói criado em 1985 por Bem Edlung que chegou a ter uma revista própria nos anos 80, até culminar na série animada e até um live-action que durou apenas nove episódios.

Na série, The Tick aparece de repente em uma cidade traumatizada pela perda de seus supergrupo que a protegia, mas por outro lado, já aliviada com a morte do principal vilão do pedaço, The Terror.

Mas um contador, Arthur, é fascinado por heróis e vilões e cria uma teoria afirmando que o Supervilão está vivo. Por ter um histórico de surtos causados por um grande trauma, ele nunca é levado a sério, por ninguém.

Se nem mesmo os 92% de aceitação do Rotten Tomatoes forem capazes de seduzí-lo a assistir essa série, vou tentar listar algumas coisas legais que podem fazer você se interessar…ou não.

Uma grande parceria

Os caminhos de Tick e Arthur se cruzam, e este último acaba “ganhando” um traje especial que parece uma traça. Um contraste interessante com o carrapato e seu uniforme azul. (No desenho animado, sua roupa muitas vezes era confundida com um coelho, o que rendia várias piadas infames).

 

The Tick

 

No desenrolar da história, surgem outros vilões e anti-heróis. Os personagens secundários sempre foram o forte das história em quadrinhos e também da série animada e isso também fica evidente na série da Amazon.

Ramsés IV, Dona Poeira e Escracho (uma tradução estranha de Overkill) são os três principais nomes dessa primeira leva, que conta também com Dot, irmã do Arthur cujo papel aumenta esperançosamente no decorrer da trama.

O ponto forte da série em reviver o desenho foi a narração cheia de frases de efeito feita pelo personagem principal. Seu jeito de falar peculiar ressalta a sua burrice em paradoxo com a lógica dos outros a sua volta. Com isso, Arthur (sim, esse é o nome de super-herói dele também) formam uma dupla perfeita, assim como o Pinky e o Cérebro.

A diversão por zoeira

The Tick é uma série para se divertir. Mesmo que você nunca tenha ouvido falar no herói, nos quadrinhos ou em carrapatos. Vale a pena dar uma chance aos seis primeiros (e curtos) capítulos da temporada.

O mercado de heróis nunca foi tão forte na televisão atual e uma paródia, mesmo que às vezes bizarra, pode ser um passatempo para perceber o quanto o mundo pode ser insano.

Peter Serafinowicz, apesar de sempre fantasiado, tem um excelente tempo para comédias e faz toda a série viver ao seu redor. Seus diálogos são impressionantes e adoravelmente ingênuos e ácidos. Uma mistura que funciona muito bem. Quem também ganha a cena em seu tempo de tela é Jackie Earle Hayley (o nosso eterno Roschart de Watchmen) como o antagonista da série.

Só pra constar

Um dos personagens mais interessantes da série animada e que foi reproduzido na primeira série live action é o Batmanuel. Se no desenho ele era conhecido como Morcego Defletor, com a mudança de ares seu nome se tornou um clássico.

Ele era um super-herói que se vestia de morcego, aos moldes do Batman, inclusive tendo um batsinal sob responsabilidade do Comissário, mas ao invés de responder o chamado ele sumia toda vez que era acionado.  Espero que pro futuro a série da Amazon adicione o Batmanuel ao seu rol de amigos do Tick.

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