No mês passado, você leu aqui no ESCALADA que o Comitê Olímpico cogitava a inclusão de eSports como MODALIDADE OLÍMPICA a partir de 2024, nos jogos de Paris. A afirmação veio da boca de Tony Estanguet, o vice-presidente do comitê olímpico parisiense. Em entrevista ao The Guardian, o cara disse que estava de olhos abertos pra comunidade gamer, e que a intenção era construir PONTES.

Tudo isso continua sendo verdade. O comitê olímpico realmente cogita incluir os eSports nos Jogos. Só que não do jeito que imaginamos. Depois das declarações de Estanguet, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, comentou sobre o assunto de uma forma bem mais CAUTELOSA e ortodoxa.

Bach disse: “Queremos promover entre as pessoas um sentimento de não-discriminação, não-violência, de paz. Isso não combina com jogos eletrônicos que apresentam violência, explosões e morte. É preciso deixar isso claro”.

CS:GO

Ou seja. De cara, ele já esclarece que jogos como Counter-Strike, League of Legends, Overwatch e até Street Fighter não terão espaço nos Jogos Olímpicos. O argumento é que games desses tipos não condizem com os “valores Olímpicos”. Então, como fica?

Na entrevista ao South China Morning Post, Thomas Bach deu a entender que apenas simuladores esportivos (como FIFA, NBA2k e similares) terão espaço nos Jogos Olímpicos. “Se todo o mundo está competindo o futebol virtual ou praticando outros esportes virtualmente, então temos alto interesse. Nós esperamos que esses jogadores estejam praticando o esporte em alta performance. Se os fãs ainda praticarem na vida real, então ficamos ainda mais felizes”.

Mas até mesmo esses jogos criam complicações. Talvez a principal delas seja a vida-útil curtíssima. Simuladores esportivos como FIFA e NBA2k são lançados todos os anos, meio que obrigando os jogadores a comprarem as novas versões – que nem sempre trazem novidades significativas. Além disso, também existe a dificuldade em estabelecer regras CLARAS pras competições.

NBA2k18

Na entrevista, Thomas Bach disse que, apesar da popularidade meteórica dos eSports, eles ainda não possuem uma regulamentação a nível ORGANIZACIONAL. Uma das principais preocupações dele é em relação à garantia de que os jogadores estão seguindo as regras. “Você precisa ter alguém que garanta que os jogadores não estão dopados, que eles estão seguindo as regras, que eles se respeitam mutuamente”, disse Bach.

É um longo caminho. Muita coisa ainda precisa ser pensada, discutida. O que, na real, é muito importante. Não é simplesmente ligar uns consoles e botar a galera pra jogar. Estamos falando dos JOGOS OLÍMPICOS.

Mesmo podendo deixar muita gente puta, as declarações de Thomas Bach são importantes, principalmente pra galera dos eSports, que deve seguir o caminho inevitável da regulamentação, criando ligas e federações oficiais. Algo de vital importância pros jogadores profissionais.

Pessoalmente, considero que não é uma escolha legal restringir a determinados jogos, apesar de fazer sentido em se tratando de uma instituição centenária como a Olimpíada. Em todos eles, até mesmo em Counter-Strike, a violência (além de ser de MENTIRINHA) é apenas parte de algo bem maior. A estratégia e o trabalho em equipe no fim contam muito mais pra vitória (s2).

Nesse caso, o melhor seria criar as Olimpíadas dos eSports, como sugerem alguns. E o que também não deixa de ser uma ideia incrível. O jeito é aguardar os próximos capítulos dessa novela que ainda promete render muito!

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário