Se você não passou o último mês caçando a própria comida no meio da selva amazônica, provavelmente deve ter visto as cenas LAMENTÁVEIS (pra dizer o mínimo) protagonizadas por alguns imbecis supremacistas em Charlottesville, cidadezinha americana que fica no Estado da Virgínia.

As manifestações, que foram iniciadas por causa da decisão do governo local de remover uma estátua que homenageava um general escravagista, terminaram em morte. Charlottesville mostrou ao mundo que os autoproclamados homens de bem ainda são capazes de barbaridades (não que alguém duvidasse disso). E, agora, o cinema resolveu comprar essa briga.

Pra ser mais específico, os organizadores do ‘Virginia Film Festival’, que completa 30 anos em 2017, decidiram sediar o evento em Charlottesville. E mais: escolheram o cineasta Spike Lee como convidado especial. Lee é nada menos do que um ícone do cinema afro-americano, e sempre aborda (de um jeito ou de outro) temáticas sociais/raciais em seus filmes. O que torna a sua participação no Festival um negócio quase que VITAL.

As quatro meninas negras que foram mortas em um atentado racista no Alabama

No Virginia Film Festival, Spike Lee vai apresentar o documentário indicado ao Oscar ‘4 Little Girls’, de 1997, que no Brasil virou ‘Quatro Meninas – Uma História Real’. O documentário relembra um dos MAIS EXECRÁVEIS atentados racistas da história dos Estados Unidos, quando quatro meninas negras foram mortas após a explosão de uma bomba em uma igreja do Alabama, em 1963, no auge de toda essa lama.

É uma clara resposta às manifestações, que eu diria criminosas, de 2017. Mas mais do que isso: mostra que os FAZEDORES de cultura não fecharam os olhos pro que tá acontecendo agora no mundo. Sempre acreditei que a cultura pop, além de entreter, tem o PODER de influenciar para o bem, se os espectadores estiverem dispostos a ver algo além do que tá mastigado na tela. Planeta dos Macacos, como a gente disse aqui no Escalada, é um ótimo exemplo disso.

Em um momento como esse, em que pessoas (de cara lavada) se intitulam “nazistas, sim”, a discussão sobre esses temas se torna ainda mais relevante. É essencial que as pessoas percebam O QUÃO ERRADAS são manifestações como a de Charlottsville. E aqui a cultura pop, com o poder de atingir uma quantidade enorme e variada de pessoas, pode ajudar pra caralho. Que bom que o Virginia Film Festival percebeu isso. Que outros festivais mundo afora também percebam!

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