O sétimo ano de American Horror Story promete abordar o terror de uma maneira bem próxima à realidade. O trailer da nova temporada, intitulada American Horror Story: Cult, foi divulgado nesta semana e mostra uma família atormentada pela violência de um grupo de fanáticos inspirados pela figura do palhaço assassino Twisty, presente no quarto ano da série. O vídeo de apresentação tem como ponto de partida o “horror” da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas em 2016. Em um contexto marcado pelas recentes manifestações neonazistas de Charlottesville, o novo tema da antologia televisiva de Ryan Murphy se revela como uma dessas TERRÍVEIS COINCIDÊNCIAS tragicômicas entre o fictício e o real.

O palhaço twisty

Durante toda a campanha eleitoral, Donald Trump deixou bem clara sua opinião pessoal acerca das minorias políticas e sociais. Negros, imigrantes e LGBTs não tinham o mesmo espaço de homens brancos, heterossexuais, cisgêneros e cristãos no discurso do empresário. A fala de Trump era tão carregada de absurdos – como o famigerado muro na fronteira dos Estados Unidos com o México – que todos acreditavam na vitória de qualquer um dos outros candidatos. Seria impossível que um “palhaço” como Donald Trump chegasse à Casa Branca. Mas chegou.

E, ao lado do magnata, confirmando as expectativas mais nefastas, subiram ao poder (moral) os grupos de ódio, fanáticos de extrema-direita, direita alternativa ou alt-right. ENTRANHADOS na história de formação dos Estados Unidos, esses “cultos” passaram a se apresentar de cara limpa e sem ressalvas na Era Trump. Sob tochas e suásticas, protestos a favor da preservação de um monumento confederado na cidade de Charlottesville, no estado da Virgínia, reafirmaram a força de manifestantes brancos, heterossexuais, cisgêneros e cristãos que bradavam “You will not replace us!” (Vocês não vão nos substituir) contra negros, imigrantes e LGBTs.

No trailer, Kai comemora a vitória de Trump nas eleições.

O showrunner de AHS, Ryan Murphy, certamente não previu o episódio específico da pequena cidade da Virgínia, mas já aguardava tempos sombrios após o anúncio do novo presidente dos Estados Unidos. Inspirada “pelas eleições presidenciais” – de acordo com Murphy, no início do ano – a temporada Cult se situa em Michigan, o estado americano que foi decisivo para a vitória de Trump em 2016. A narrativa nos apresenta uma família constituída por um casal lésbico e um filho pequeno, paralela a uma seita formada por pessoas que vestem máscaras de palhaço.

Os primeiros frames do trailer retratam as reações paradoxais dos dois núcleos frente à divulgação da vitória de Donald Trump. Diante da TV, Kai Anderson (Evan Peters), que faz parte do grupo de fanáticos, comemora a notícia de maneira selvagem, enquanto Ally Mayfair-Richards (Sarah Paulson), uma das mães da família homoafetiva e portadora de coulrofobia (fobia de palhaços), entra em pânico.

Palhaços por toda a parte em AHS Cult.

À medida que o trailer se desenvolve, é possível perceber ainda uma certa referência ao caso real do assassinato da atriz Sharon Tate, que foi esfaqueada por seguidores da seita Família Manson, liderada por Charles Manson, em 1969. O caso Tate-LaBianca, como ficou conhecido na imprensa, incluiu a morte de quatro amigos de Sharon e do casal Leno e Rosemary LaBianca. Manson acreditava que as mortes desencadeariam conflitos raciais, e em meio a estes, o líder ascenderia ao posto de governante da nação. Na busca por essa grande guerra civil étnica, os assassinos chegaram a plantar pistas falsas na casa de Tate, que pudessem incriminar o grupo de ativistas negros norte-americanos Panteras Negras.

Alegoria de um preocupante cenário atual ou colcha de referências, American Horror Story: Cult tem tudo para ser a temporada mais politizada da série ao introduzir o ‘terror real’ à obra criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk. Resta saber se a trama do sétimo ano será realmente uma “crítica social f*da” ou mais um continho de suspense e sangue do titio Murphy.

American Horror Story: Cult estreou no dia 5 de setembro nos Estados Unidos, e no Brasil, no dia 6, à 0h30, pelo canal a cabo FX.

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados *

Postar Comentário